Elogie uma miga negra

elogie

Quando eu decidi largar a química e deixar que meu cabelo voltasse ao seu estado “natural”, eu imaginei que várias coisas iriam acontecer. Imaginei que muita gente iria estranhar, que quando eu fizesse o Big Chop* muita gente iria torcer o nariz, imaginei também como ir em uma balada com ele todo crespo, imaginei minhas novas fotos, mas tem uma coisa, uma única coisa, e talvez a mais importante de todas, que eu não imaginei.

O laço que eu criaria com milhões de mulheres negras quando o meu cabelo ficasse todo crespo novamente.

A primeira vez que eu percebi que algo tinha mudado, foi exatamente no salão em que cortei meu cabelo. Recebi olhares lindos e compreensivos de todas as mulheres presentes, nem todas eram negras, claro, mas foram os olhares delas que me deram força para sair daquele salão e encarar a realidade: uma realidade em que algumas cabeças viram para te olhar, algumas caretas são feitas e, até mesmo, alguns comentários no meio do caminho.

Continue reading

Um dreadlock não é só um dreadlock

“Bom, meu nome é Alayê Imirá, tenho 22 anos. Meu nome e dos meus irmãos são de origem Africana. Addaê Abaré, o mais velho, significa Sol Nascente, Ayana Odara, a mais nova, Flor de Formosura. Meu nome significa “Possuidor de Vida”. Desde sempre nós tivemos contato com a cultura africana e já nascemos inseridos no meio do Movimento Negro de Belo Horizonte. Nossos pais sempre foram muito ativistas e sempre nos foi passado a importância de ser um negro assumido no Brasil. Por eles serem professores também, a educação dos filhos sempre foi a maior prioridade.

Eu estudei grande parte da minha vida em escola particular e ficava incomodado por ser um dos poucos negros do colégio inteiro. Não entendia, mas ficava incomodado por não ter tantas pessoas parecidas comigo. Digo parecidas sem usar aspas, porque realmente eu era diferente dos meus outros amigos brancos. O modo de tratamento era completamente diferente, o olhar, as atitudes, brincadeiras…

Continue reading

REPRESENTATIVIDADE: The Misadventures of Awkward Black Girl

Quando gostamos muito de algo, começamos a procura-lo e vários outros meios, certo? Então eu, que gosto muito de seriados, comecei a procurá-los em outros meios que não fosse o convencional. Por ser seriados, obviamente só iria encontra-los em meios que oferecessem a opção de vídeos. E, já sabendo da existência das webséries, encontrei aquela que se tornaria uma das produções que mais amo na vida toda: The Misadventures of Awkward Black Girl.

Essa produção maravilhosa, criada e estrelada pela Issa Rae (inclusive, essa pessoa deveria ser conhecida mundialmente), estreou em fevereiro de 2011 no Youtube. A websérie narra, basicamente, as situações diárias e constrangedoras de J, uma jovem mulher negra que trabalha em um call center para a empresa de uma pílula de emagrecimento, a Gutbusters. Nessa empresa, ela tem uma melhor amiga e várias pessoas que detesta. Além de uma paixão platônica. Continue reading

[VÍDEO] REPRESENTATIVIDADE: Rani e o Sino da Divisão

Um assunto que gosto muito de abordar e, provavelmente, você vai encontrar bastante aqui no blog ou em vídeos (ou já percebeu que é algo que eu gosto de falar) é a representatividade. Para quem não entende muito bem, quando falamos sobre representatividade queremos dizer que um produto cultural (ou outra coisa) possui representantes de alguma minoria. Essa minoria pode ser negra, LGBTTT, de mulheres, orientais etc. Então, eu resolvi começar a fazer vídeos falando sobre algumas coisas que gosto, como séries, filmes e livros, que tenham representatividade.

Nesse vídeo eu falei sobre um livro que eu AMO, do escritor Jim Anotsu e publicado pela Editora Gutenberg, que se chama Rani e o Sino da Divisão. Para quem gosta de literatura juvenil e ficção, esse livro é a escolha perfeita. E não só por isso, ele também possui algo que eu, desde que me afirmei como negra, busco sempre: uma representante com a qual eu me identifique (ou que eu possa imaginar outras meninas e meninos negras se identificando).

Continue reading

[VÍDEO] DEIXA O VOLUME DE CABELO!

Nesse segundo vídeo do canal, resolvi falar sobre como é difícil começar a gostar do volume que o cabelo crespo ou cacheado tem. Quando se passou tanto tempo deixando o cabelo liso com escova ou chapinha, ou alterando a estrutura dele com químicas, se acostumar com a forma normal do seu cabelo pode ser uma tarefa muito difícil – e extremamente estressante. Ainda mais em uma sociedade em que cabelo crespo ainda sofre muito preconceito, tanto para homens quanto para mulheres.

Por isso, se acostumar com o volume de cabelo, principalmente o volume que o cabelo crespo ou cacheado tem, é algo demorado e que requer um trabalho muito grande por parte da pessoa – e digo isso na questão psicológica mesmo. Então, a gente precisa de todo apoio que conseguir, certo? Tanto das amigas, dos parentes, de blogueiras e vlogueiras e até de pessoas que conhecemos em grupos do Facebook. Continue reading

ASSINE O BLOG

Quer ficar por dentro de tudo o que acontece no blog, na página, no instagram, em eventos e mais? Então deixe seu e-mail abaixo! Não esqueça de confirmar o cadastramento no e-mail que chegará para você.

Delivered by FeedBurner

SOBRE O BLOG

Extensão do projeto de mídia digital "Meu Cabelo Crespo é amor" voltado para o empoderamento sobre cabelos crespos e cacheados. Aqui você encontra uma reunião de textos e vídeos relacionados com os assuntos abordados na página do Facebook e no perfil do Instagram, assim como representatividade, feminismo, a questão racial e outros.

QUEM CRIOU


O ‘Meu cabelo crespo é amor’ foi criado pela jornalista Olívia Pilar – negra, crespa e feminista. O desejo de ter um projeto de mídia digital sempre existiu, mas precisava ser algo que pudesse realmente fazer a diferença (ou que ao menos fosse uma tentativa). Criar o blog é uma forma de comentar assuntos que completam a temática inicial abordada na página.
#ManifestoCrespoEAmor