REPRESENTATIVIDADE: The Misadventures of Awkward Black Girl

Quando gostamos muito de algo, começamos a procura-lo e vários outros meios, certo? Então eu, que gosto muito de seriados, comecei a procurá-los em outros meios que não fosse o convencional. Por ser seriados, obviamente só iria encontra-los em meios que oferecessem a opção de vídeos. E, já sabendo da existência das webséries, encontrei aquela que se tornaria uma das produções que mais amo na vida toda: The Misadventures of Awkward Black Girl.

Essa produção maravilhosa, criada e estrelada pela Issa Rae (inclusive, essa pessoa deveria ser conhecida mundialmente), estreou em fevereiro de 2011 no Youtube. A websérie narra, basicamente, as situações diárias e constrangedoras de J, uma jovem mulher negra que trabalha em um call center para a empresa de uma pílula de emagrecimento, a Gutbusters. Nessa empresa, ela tem uma melhor amiga e várias pessoas que detesta. Além de uma paixão platônica.

A websérie é narrada em primeira pessoa, na visão da J, por isso você consegue quase sentir o constrangimento em algumas situações, afinal The Misadventures of Awkward Black Girl em uma tradução literal seria algo como As estranhas desventuras de uma garota negra. O que eu acho muito legal já que situações constrangedoras acontecem sempre com todas as pessoas no mundo inteiro.

Uma das primeiras situações narradas na websérie é quando a J resolve ir ao banheiro na empresa e tem um corredor. Nesse momento uma pessoa aparece e surge aquela pergunta “O que fazer? Devo dizer oi? Dizer boa tarde? Perguntar sobre sua vida? Ou somente passar direto?”. Enquanto eu assistia eu me via claramente ali, porque eu também tenho certa dificuldade em saber o que fazer uma situação “social”.

Mas a questão principal que quero abordar nesse texto é sobre a representatividade. Quando falamos sobre representatividade em um produto cultural, estamos querendo dizer que algo possui a representação de uma certa minoria.

J, interpretada pela própria Issa Rae, não é somente uma jovem mulher negra. Ela também foge completamente do padrão de beleza dos filmes e séries americanos que sempre vemos por aí (exemplo: Olivia Pope, Scandal). Ela tem o cabelo muito curto, quase careca, e o corpo muito normal (como você pode ver na foto). Para mim, ela é maravilhosa, mas provavelmente ela não seria protagonista de muitas séries por aí.

Agora, imagine a importância de se ter uma garota assim protagonizando algo? Afinal, não é somente o jeito da personagem que pode representar alguém, o seu físico também pode ser o mesmo ou muito parecido com o de milhões de meninas por aí que não se encontram em nenhuma outra produção, seja ela nacional ou americana (como é o caso).

E não existe somente a J de negra na websérie. A produção é totalmente contextualizada, por isso existem muitos personagens negros e alguns personagens brancos, o que condiz totalmente com a proposta e até mesmo com o enredo.

Eu sei que para muita gente isso não é importante. Que muita gente sequer percebe ou faz uma contagem mental de quantos personagens que representam uma minoria estão em uma produção – eu faço. Mas, se no fundo, você não se sente representada (o) em algumas produções, talvez seja a hora de começar também a contar.

Assista ao primeiro episódio:

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Extensão do projeto de mídia digital "Meu Cabelo Crespo é amor" voltado para o empoderamento sobre cabelos crespos e cacheados. Aqui você encontra uma reunião de textos e vídeos relacionados com os assuntos abordados na página do Facebook e no perfil do Instagram, assim como representatividade, feminismo, a questão racial e outros.
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O ‘Meu cabelo crespo é amor’ foi criado pela jornalista Olívia Pilar – negra, crespa e feminista. O desejo de ter um projeto de mídia digital sempre existiu, mas precisava ser algo que pudesse realmente fazer a diferença (ou que ao menos fosse uma tentativa). Criar o blog é uma forma de comentar assuntos que completam a temática inicial abordada na página.
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